vida sem smartphone

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headbanger de carteirinha

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esculturas híbridas

apresenta uma série de esculturas que transitam em materiais e formas diferentes, sendo que a figura humana pode ser encontrada na maior parte das peças. figuras que ainda buscam uma forma ideal, transitando entre a sensibilidade de um busto gestante em mármore e o vigor retorcido de homens de ferro. ainda apresenta a clássica cena de um jovem, que muito bem poderia ser um guerreiro mediterrâneo, numa posição inusitada e de visível desconforto. um cavalo decidido, porém com leveza quase flutuante. também formas curvas em pedras duras e, por fim, uma peça única, entalhada na madeira e no ferro, uma simbiose de uma forma feminina e agradável ao toque representada pela madeira polida, e algo em ferro que remete à dureza que aprisiona. não foi a toa que dayvison a colocou no centro da sala. é um trabalho que se destaca; objeto de conclusão de sua formação acadêmica. nota-se, porém, que  todas estão em evidente equilíbrio.

as referências são várias, do mestre chico stockinger, ao pop h.r.giger. headbanger de carteirinha, dayvison mostra um trabalho forte e ao mesmo tempo sensível, como uma canção do volume 4 do black sabbath.

josé goulart, professor orientador do ateliê de escultura do curso de artes visuais da ufsm, dá o tom definitivo desta exposição: “sensibilidade, coerência e responsabilidade processual são componentes ativos na escultura de dayvison zambiazi. diálogos sutis, tensos, são construídos ora por um caráter denso e dramático, ora por um refinamento e apurada síntese formal. apesar da dureza dos materiais explorados, consegue dominá-los com expressividade deixando espaço para que estes também possam dialogar enquanto matéria. mesmo na diversidade técnica e de suportes, dayvison circula com desenvoltura deixando antever nestes primeiros grandes passos, ser um escultor sensível e de longo caminho!”

dayvison zambiazi é formado em artes visuais pela ufsm e seu trabalho fica exposto na cesma até o final de novembro.

tengo una ideia

cartaz_hispanidade

ontem começamos um novo ciclo no cineclube. tem sido assim; desde que comecei essa jornada cineclubista, no já distante ano de 1992, todo novo mês traz consigo uma nova proposta de trabalho. assim como disse ortega y gasset: yo soy yo y mis circunstancias. então, vou me moldando, me adaptando, seguindo esse caminho árduo, exigente, na maioria das vezes, gratificante, na boleia do cineclubismo.

fiquei bastante impressionado com “el baño del papa” de enrique fernandez e cesar charlone, que também respondeu pela direção de foto do cidade de deus do meirelles. a exibição foi precedida por uma excelente apresentação da angelise fagundes da silva, estudiosa da literatura espanhola, que fez uma relação da obra literária de mesmo nome do escritor gaúcho aldyr schlee, de 1991, e o filme, co-produzido entre uruguai, brasil e frança (2007).

muito já foi falado e escrito sobre esse premiadíssimo trabalho que fez todos interessados em cinema voltarem seus olhos para o nosso vizinho da banda oriental. aponto agora apenas 2 coisas: o excelente trabalho de direção de atores e uma das últimas cenas, logo após o término do discurso do papa, que mostra a desolação daquela gente que apostou alto – num momento de esperança, e mais uma vez perderam – numa sequência embalada por uma música que vai crescendo como gritos soltos de bocas amordaçadas pelo jogo de uma vida dura, sofrida. ritmo e dramaticidade. um pouco antes, acompanhamos beto, em sua epopeia kileira entrefronteiras, com o vaso do banheiro. torcemos para que ele chegasse a tempo. comovente ainda foi ver a filha silvia, se emocionar com o desespero de seu pai. desespero e frustração que era de todos os moradores de melo.  doeu vê-la ir ao encontro do seu pai, para acompanhá-lo na continuação das travessias, dando mostras de que havia abandonado seu sonho de estudar em montevidéu. mais uma vez a história se repete: filha que vira mulher, que vira mãe e que deixa de sonhar. numa vida de privação, sonho tem prazo de validade.

não podia ter filme melhor para começar o ciclo.

já o cartaz foi feito com uma foto de albert jodar, <encierro del gladiador vencido, pamplona, 2009> extraida seu blog . estava em busca de imagens que pudessem nos remeter a proposta do ciclo, ou ainda, a ajudar a compreensão, e o @ferkrum indicou o caminho das fotos de seu amigo. para cada um dos filmes do ciclo, um novo cartaz, com uma foto diferente, só que numa resolução maior. segundo o relato do krum, @albertjodar ficou contente com a possiblidade de ter seu trampo circulando por aqui também.

como a última fala do beto, no famigerado banheiro, “tengo una ideia”.

eles carneiam, nós registramos

o final de semana foi bastante divertido. fomos novamente para o rincão do inferno, interior de lavras do sul,  só que agora com um casal de amigos menos acostumados com as lidas campeiras.

entre assados e passeios a cavalo, uma carneação de ovelha devidamente registrada em vídeo. a ideia é produzir um curta, pois usamos 2 minidv’s e outra fotográfica. 32 minutos de destreza.  o mote a ser trabalhado será justamente a naturalidade com que os homens do campo lidam com essas situações, deixando de lado o sensacionalismo barato que geralmente acompanha o olhar “civilizado” da cidade. em breve mais informações.

foto: fernando krum

eles carneiam e nós comemos

eles carneiam, nós registramos e depois comemos

o tempo ameniza mas não sara

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passados alguns dias volto a refletir sobre o acontecido. a dona letícia havia me pedido para fazer e encaminhar o anúncio para os jornais, tarefa que foi bastante dolorosa, porque além de acompanhar o sofrimento dela e da silvia, me fez lembrar não só do antônio augusto, com quem convivi nos últimos 12 anos, como principalmente de meu pai que faleceu em 1993 com apenas 56 anos e de meus irmãos, ademir, e leandro, falecidos com 38 e 27 anos respectivamente, 1998 e 2005. nenhum de acidente

não importa o tempo que ficaram conosco, ele nunca seria suficiente, mas sim a lembrança e esse sentimento que arrebata nossos corações, chamado saudade. ela nos mantém em contato permanente. me apego a isso, sofro e me conforto.

o tempo ameniza mas não sara.

relação de trabalho

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queimou o assado

olha só, isso é uma das coisas mais idiotas que recebi por email até então.  o cara é escandaloso porque é mal amado? ou escandaloso porque é ingênuo?

ele não pode mais dizer “tenho uma boa relação de trabalho com o fulano”.

isso veio do catarina giovane rocha que foi morar no recife. agora tenho que aturar.

cartas de um velho safado

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que agradável surpresa! abri o jornal e me deparei com uma página, muito bem escrita por sinal, onde Rodrigo Scharwaz lembra a data de aniversário de william burroughs. são poucos os que se atrevem a reconhecer a importância da obra e trajetória desse maldito, burroughs. literato, drogadito, intelectual, visionário, inconsequente, genial, perdulário, malandro, andarilho, idolatrado, vagabundo, artista, incorrigível, sagaz, delinquente, corajoso, mestre, copiador, inventor, alquimista, montador, velho, fedido, fudido, desejado, old bull lee.

na década de 80 a l&pm publicou “cartas do yage”, correspondências que burroughs manteve com allen ginsberg na metade dos anos 50 quando ele desceu em direção à américa do sul, passando pela central, em busca do que ele chamou de “barato definitivo”, o barato propiciado pelo yage, também chamado pelos índios de ayahuasca ou caapi.

“a planta banisteriopsis caapi é uma trepadeira que cresce na amazónia e produz uma droga conhecida pro vários nomes: para os índios brasileiros e colombianos ela é a caapi, enquanto no peru, bolívia e equador ela é chamada de ayahuasca. nos andes ela tem o nome de yagé, e é obtida através da fervura das cascas recém-formadas da trepadeira caapi.

o princípio activo do caapi, conhecido como harmina, pode ser extraído e transformado em cloreto de harmina, droga aspirada ou mascada para produzir os mesmos efeitos da beberagem.
Imediatamente após a ingestão de yagé, o usuário vomita; em seguida, começam os efeitos propriamente ditos: embriaguez acompanhada por alucinações e espoucar de luzes coloridas. Também pode ocorrer insonia, perda de coordenação e vertigens. à medida que os efeitos se intensificão, as alucinações entram num grau mais avançado e o usuário pode experimentar um aumento de visão noturna e um desenvolvimento da energia psíquica, assim como uma estimulação dos sentidos sexuais

a harmina produz efeitos e sensações semelhantes aos da mescalina, acrescidos de embriaguez. afirma-se que a droga aumenta a percepção extra-sensorial, fazendo com que o usuário adquira a capacidade de prever eventos futuros”.

assim fica mais claro entender porque ele nominou “barato definitivo”. porém, até chegar ao yage, willian percorreu uma trilha úmida e quente, passando por quartos de hotéis baratos com meninos imberbes, insaciáveis e ladrões, além de embates com funcionários públicos corruptos. esse painel é apresentado a ginsberg, ajundando na construção estereotipada do gringo sobre a AL. eu prefiro fazer uma metáfora do explorador obcecado em achar a cidade dourada e despojar tudo o que puder até vomitar. e foi exatamente isso que ele fez, porém nem assim conseguiu, naquele momento, o barato definitivo.

fonte: ciência viva