saura no cineclube

 

Um dos filmes mais populares de Carlos Saura, “Mamãe faz 100 anos”, recupera novamente a discussão iniciada em “Ana e os lobos” (1972). Agora, para comemorar o aniversário da matriarca, Ana volta para casa, em companhia de seu marido, Antonio. A vida da família mudou bastante, mas continua com muitos problemas e traumas do passado. Enfrenta ainda problemas econômicos e assim decidem “eliminar” a mãe, para poder vender a propriedade para a especulação imobiliária.
Trata-se de uma crítica ao governo de Franco, que deixou marcas profundas na sociedade espanhola. E Saura, talvez tenha sido um dos poucos artistas que nunca se omitiu de apontar essas questões em seus trabalhos.

cartazes, cartazetes…balaios e produção coletiva

kre

gosto cada vez mais de fazer cartazes e outras peças digitais. no momento, descobri o plano inclinado e vou usá-lo até #encherosaco.

esse doc, foi feito pela equipe da tv ovo em parceria com o pessoal da reserva indígena de nonoai, instituto kaingáng, numa produção coletiva dirigida pelo alex e a fran. aliás, este é o primeiro trabalho dirigido por ela.

kré significa balaio em kaingáng e o doc mostra como ele é feito.

bem resolvido tecnicamente,  entrou na mostra local do smvc e começa sua carreira também e outros festivais.

segunda_sol

seguimos com o cineclube em seu ciclo yo soy yo y mis circustancias, agora com o filme segunda-feira ao sol, de fernando león de aranoa, com apresentação de geice peres nunes, que já teve outra participação apresentando  meu pé de laranja lima, em dezembro do ano passado.

como percebe-se também seguimos utilizando os cartazes com as fotos de albert jodar. o trabalho fotográfico de jodar se encaixou tremendamente bem na proposta do ciclo. a grande dificuldade foi escolher as imagens adequadas para cada filme, até porque a produção desse cara é extensa e de altíssima qualidade, com excelentes referências que batem com o que pensamos esteticamente por aqui (pelo menos por onde ando), mas acima de tudo, me parece também importante estabelecer mais uma conexão nessa rede global de compartilhamento de informações e de ideias coletivas, base da formação de qualquer cineclubista que se preze.

tengo una ideia

cartaz_hispanidade

ontem começamos um novo ciclo no cineclube. tem sido assim; desde que comecei essa jornada cineclubista, no já distante ano de 1992, todo novo mês traz consigo uma nova proposta de trabalho. assim como disse ortega y gasset: yo soy yo y mis circunstancias. então, vou me moldando, me adaptando, seguindo esse caminho árduo, exigente, na maioria das vezes, gratificante, na boleia do cineclubismo.

fiquei bastante impressionado com “el baño del papa” de enrique fernandez e cesar charlone, que também respondeu pela direção de foto do cidade de deus do meirelles. a exibição foi precedida por uma excelente apresentação da angelise fagundes da silva, estudiosa da literatura espanhola, que fez uma relação da obra literária de mesmo nome do escritor gaúcho aldyr schlee, de 1991, e o filme, co-produzido entre uruguai, brasil e frança (2007).

muito já foi falado e escrito sobre esse premiadíssimo trabalho que fez todos interessados em cinema voltarem seus olhos para o nosso vizinho da banda oriental. aponto agora apenas 2 coisas: o excelente trabalho de direção de atores e uma das últimas cenas, logo após o término do discurso do papa, que mostra a desolação daquela gente que apostou alto – num momento de esperança, e mais uma vez perderam – numa sequência embalada por uma música que vai crescendo como gritos soltos de bocas amordaçadas pelo jogo de uma vida dura, sofrida. ritmo e dramaticidade. um pouco antes, acompanhamos beto, em sua epopeia kileira entrefronteiras, com o vaso do banheiro. torcemos para que ele chegasse a tempo. comovente ainda foi ver a filha silvia, se emocionar com o desespero de seu pai. desespero e frustração que era de todos os moradores de melo.  doeu vê-la ir ao encontro do seu pai, para acompanhá-lo na continuação das travessias, dando mostras de que havia abandonado seu sonho de estudar em montevidéu. mais uma vez a história se repete: filha que vira mulher, que vira mãe e que deixa de sonhar. numa vida de privação, sonho tem prazo de validade.

não podia ter filme melhor para começar o ciclo.

já o cartaz foi feito com uma foto de albert jodar, <encierro del gladiador vencido, pamplona, 2009> extraida seu blog . estava em busca de imagens que pudessem nos remeter a proposta do ciclo, ou ainda, a ajudar a compreensão, e o @ferkrum indicou o caminho das fotos de seu amigo. para cada um dos filmes do ciclo, um novo cartaz, com uma foto diferente, só que numa resolução maior. segundo o relato do krum, @albertjodar ficou contente com a possiblidade de ter seu trampo circulando por aqui também.

como a última fala do beto, no famigerado banheiro, “tengo una ideia”.

mês do cachorro louco 2

cartaz_agosto

o primeiro mês do cachorro louco do cineclube foi em agosto de 2004, ainda na casa de cultura, quando exibimos o bebê de rosemary, o exorcista o iluminado e o outro não lembro.  na época, tínhamos a participação do pedro moreira, da elisa oliveira e do já famoso nenê vianna. o pessoal se dava ao trabalho de fazer um caminho de velas até o auditório entre outras coisas. bons tempos.

na versão 2, trabalharemos com filmes do mojica e outros curtas do mesmo segmento.

oficinando

cine+

semana que vem começa a oficina do cine+cultura em porto alegre. são quase 60 participantes vindos de cidades diferentes dos 3 estados do sul do país.

“norteado por demandas apresentadas em diálogos com a sociedade civil, o ministério da cultura, sob orientação do programa mais cultura, promove a ação cine mais cultura. através de editais e parcerias diretas, a iniciativa disponibiliza equipamento audiovisual de projeção digital, obras brasileiras do catálogo da programadora brasil e oficina de capacitação cineclubista, atendendo prioritariamente periferias de grandes centros urbanos e municípios, de acordo com os indicadores utilizados pelo programa territórios da cidadania.”

a oficina de formação cineclubista tem um conteúdo extenso e vai ocupar todos os períodos da semana de 2 a 8 de agosto, no albert express hotel. o encontro ocorre em regime fechado, ou seja, somente podem participar os representantes das instituições contempladas pelo edital  que estarão hospedados no mesmo local, comendo, bebendo, descomendo, compartilhando conhecimento da manhã à noite. tipo, ninguém sai e ninguém entra. a equipe responsável pela produção e andamento da oficina é formada por francele cocco, francine nunes, fernando krum, luiz alberto cassol, gilvan dockhorn + eu.  a produção foi feita pela cocco e pelo krum e o conteúdo por todos.

depois da oficina, será feito o acompanhamento, através de monitoria e relatórios, de todos os contemplados.  outra etapa de pancadaria que deve durar 3 meses.

esperamos conseguir representar bem o cineclube lanterninha aurélio e formar novos cineclubitas que batalhem pela democratização do audiovisual. desejem-nos sorte agora, porque estaremos incomunicáveis até o término desse trampo.

aqui está o relatório das atividades