tengo una ideia

cartaz_hispanidade

ontem começamos um novo ciclo no cineclube. tem sido assim; desde que comecei essa jornada cineclubista, no já distante ano de 1992, todo novo mês traz consigo uma nova proposta de trabalho. assim como disse ortega y gasset: yo soy yo y mis circunstancias. então, vou me moldando, me adaptando, seguindo esse caminho árduo, exigente, na maioria das vezes, gratificante, na boleia do cineclubismo.

fiquei bastante impressionado com “el baño del papa” de enrique fernandez e cesar charlone, que também respondeu pela direção de foto do cidade de deus do meirelles. a exibição foi precedida por uma excelente apresentação da angelise fagundes da silva, estudiosa da literatura espanhola, que fez uma relação da obra literária de mesmo nome do escritor gaúcho aldyr schlee, de 1991, e o filme, co-produzido entre uruguai, brasil e frança (2007).

muito já foi falado e escrito sobre esse premiadíssimo trabalho que fez todos interessados em cinema voltarem seus olhos para o nosso vizinho da banda oriental. aponto agora apenas 2 coisas: o excelente trabalho de direção de atores e uma das últimas cenas, logo após o término do discurso do papa, que mostra a desolação daquela gente que apostou alto – num momento de esperança, e mais uma vez perderam – numa sequência embalada por uma música que vai crescendo como gritos soltos de bocas amordaçadas pelo jogo de uma vida dura, sofrida. ritmo e dramaticidade. um pouco antes, acompanhamos beto, em sua epopeia kileira entrefronteiras, com o vaso do banheiro. torcemos para que ele chegasse a tempo. comovente ainda foi ver a filha silvia, se emocionar com o desespero de seu pai. desespero e frustração que era de todos os moradores de melo.  doeu vê-la ir ao encontro do seu pai, para acompanhá-lo na continuação das travessias, dando mostras de que havia abandonado seu sonho de estudar em montevidéu. mais uma vez a história se repete: filha que vira mulher, que vira mãe e que deixa de sonhar. numa vida de privação, sonho tem prazo de validade.

não podia ter filme melhor para começar o ciclo.

já o cartaz foi feito com uma foto de albert jodar, <encierro del gladiador vencido, pamplona, 2009> extraida seu blog . estava em busca de imagens que pudessem nos remeter a proposta do ciclo, ou ainda, a ajudar a compreensão, e o @ferkrum indicou o caminho das fotos de seu amigo. para cada um dos filmes do ciclo, um novo cartaz, com uma foto diferente, só que numa resolução maior. segundo o relato do krum, @albertjodar ficou contente com a possiblidade de ter seu trampo circulando por aqui também.

como a última fala do beto, no famigerado banheiro, “tengo una ideia”.

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