Sons que fazem (muito) barulho

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O mais desavisado pode não ter percebido, mas Santa Maria faz muito barulho há muito tempo.

A junção da falta de perspectiva econômica-profissional, a tendência à transformação de espaços comuns em privados (no mais das vezes elitizados), o cosmopolitismo de um centro de saber e de armas, a efemeridade das pessoas (e das relações) justamente pelo tempo de serviço na caserna ou na graduação, a efervescência intelectual produzida nos círculos acadêmicos e por fim, até mesmo aquele impulso criativo em repulsa ao saber instituído, garantiu um caleidoscópio cultural em Santa Maria extremamente inovador, que em determinados momentos se expande e em outros se retrai, mas que em momento algum, deixou de existir.

Há sempre alguém fazendo alguma coisa em algum dos inúmeros cantos da cidade, mesmo que a ação de tant@s seja ignorada pelo conjunto da sociedade, pelos órgãos consagrados de imprensa ou pela “esclarecida” comunidade acadêmica.

Não há como negar, a música em suas variantes e variadas versões e estilos cria sociabilidade, relações e redes de troca; ao mesmo tempo: integra e exclui, inova e reproduz, choca e conforma, faz pensar e faz bitolar.

Com uma simples caminhada pelo calçadão percebe-se que os gêneros – que se somam aos milhares – demarcam uma infindável quantidade de fronteiras (definidas no mais das vezes pela diferença ao centro do que propriamente pelas semelhanças internas) que se interligam e recriam microcosmos de produção, circulação e, principalmente, consumo. Seriam então formas de buscar singularidade em um mundo extremamente padronizado.

O grupo intitulado Mosaico com atuação em todo o ano de 2003, formado por: Atílio Correa, o Seco, Gilvan Dockhorn, Homero Pivotto,  Jeane Baron, Marcos Borba, Paulo Tavares e Paulo Henrique Teixeira (eu mesmo), tinha a pretenção de contar a história do rock em Santa Maria, através da produção de um documentário e outros materiais escritos, como forma de preservação da cultura musical da cidade.

Foram feitos vários contatos, entrevistas, pesquisas em jornais de época e em acervos particulares. Uma verdadeira movimentação de adesão em torno da proposta.

O projeto foi se mostrando cada vez mais extenso, exigindo mais e mais dos participantes e a coisa acabou ficando pelo caminho.

Esse último texto é do Gil, integrando a série MOSAICO que passei a postar para que estes arquivos possam ser compartilhados com tod@s, afinal a ideia continua sendo boa.

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