carnaval, linguiça e hospital

depois de muito tempo pude curtir o carnaval. no sábado pela manhã nos lançamos pela BR 392 e 158km e 2 horas e pouco adiante, chegamos em lavras do sul. conforme combinado, encontramos familiares no famoso restaurante do freitas. mais famoso que ele somente a lingüiça e o feijão mexido servido abundantemente aos mais corajosos.

freitas, o filho, que carrega a fama conquistada pelo pai e mãe, se orgulha de seu estabelecimento ser conhecido também fora da lavrinha, justamente pela dupla lingüiça & feijão mexido.

eu não me preocupo comigo e tão pouco com os meus, porque somos glutões de longa data e também porque já conhecemos o cardápio do freitas de outros carnavais. agora, tenho pena dos infelizes que, mesmo avisados, se atracam. naquelas de não dá nada! uma amiga que foi junto, experimentou, gostou e repetiu.

seguimos mais 22 km, interior adentro, na direção do rincão do inferno. chegamos, largamos a bagagem e fomos pro rio camaquã. como tem chovido bastante, o rio estava alto e a água além de fria, muito turva. tipo o banho de capuccino em capão da canoa.

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voltamos pra sede, encilhamos os cavalos e fomos, os homens, 2 gaúchos e 1 bahiano (eu, claro), camperiar. depois que apeamos, fomos tomar um mate e vi a tal amiga tomando chá de marcela. caiu a noite e a janta foi servida, mas ela não quis, foi se deitar. a famosa dupla já tinha provocado efeito. não deu outra, lá pelas tantas foi preciso voltar pra cidade, rumo ao hospital. entre algumas paradas e falas de “eu avisei”, grande parte da bílis foi ficando na lataria da camionete e na poeira da estrada. que coisa triste de se ver, não desejo isso nem pra quem não gosto mais.

pra dramatizar mais a situação, nossa chegada antecedeu um acidente com uma moto que quebrou a perna dum folião, fratura exposta. segundo o médico, ficamos sabendo depois, a tíbia e o perônio foram quebrados em 3 partes diferentes. quebradura sempre tem prioridade sobre vomitação, então esperamos. ela começou a tremer de frio numa maca até que providenciamos uma coberta enquanto assistíamos a movimentação do grupo de amigos e familiares do motoqueiro quebrado, todos ansiosos e quase todos cheirando a álcool. como o hospital não tem recursos, acionaram uma ambulância para levar o sujeito pra bagé, onde poderiam operá-lo. aliás, como o carnaval de lavras virou referência na região, atraindo muita gente, a prefeitura mantém um serviço com ambulância e equipe para recolher e levar ao hospital os mais borrachos. uma espécie de trans bêbado.

resolvida essa situação, o médico pôde atender nossa amiga, diagnosticou como falta de costume com a linguiça campeira e aplicou plasil e buscopan nos canos. disse que ela precisava de pelo menos 1 hora, no soro. tranqüilizados com o atendimento e com tempo para esperar, fomos pegar umas cevas no birinait’s mercado de bebidas. baita nome! muito engraçado ouvir o dono do estabelecimento reclamando que quase não tinha mais cerveja para vender, tinha comprado mil fardos de latinha e o pessoal não parava de ir buscar, e era só a primeira noite.

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8 latinhas a menos, fomos resgatar a convalescida e presenciamos outra cena que somente o plantão de um hospital em época de carnaval possibilita, imagino. uma moçoila noutra maca totalmente embriagada sendo acalmada por alguns amigos, num estado um pouco melhor que o dela. uma dizia:

– nós tomamos uma garrafa de batida, ta ligado?! essa mina é fraca, porque eu depois ainda tomei uns sambas e tô aqui legal. …é meio bêbada, mas tô aqui.

outra dizia,

– é porque ela não comeu nada. ela tá acostumada a beber.

a médica, que havia começado o seu plantão, amiga dos lavrenses que nos acompanhavam, nos convidou para ficar ali mais um tempo para vermos o que ainda viria pela frente. ainda não era meia-noite. “mulheres bêbadas aparecerão mais umas tantas, e elas são fiasquentas, chatas, porcalhonas, um horror!”

ao vermos nossa amiga melhor, rindo encabuladamente da situação, tocamos rumo ao rincão novamente. afinal, o carnaval mal havia começado.

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do fundo do baú

paulo noronha no primeiro cesma in blues, imagem usada para a identidade visual das últimas 2 edições

paulo noronha no primeiro cesma in blues, imagem usada para a identidade visual das últimas 2 edições

red house, ainda com nico barrabás envolto por uma fumaceira dos infernos

red house, ainda com nico barrabás envolto por uma fumaceira dos infernos

rodrigo jardim marcando o ritmo dos watts

rodrigo jardim marcando o ritmo dos watts

samuca brincando com ela

samuca brincando com ela

daniel rosa mandando ver

daniel rosa mandando ver

red house com a participação de débora rosa, na marcante interpretação de wilson pickett, mustang sally

red house com a participação de débora rosa, na marcante interpretação de wilson pickett, mustang sally

mexendo aqui num computador, encontrei essas fotos do beto bordin, tiradas na primeira edição do cib. bons tempos aqueles onde tudo era possível, porque nada ainda tinha sido feito. tempo de parcerias e de aprendizado.

cartas de um velho safado

burroughs21

que agradável surpresa! abri o jornal e me deparei com uma página, muito bem escrita por sinal, onde Rodrigo Scharwaz lembra a data de aniversário de william burroughs. são poucos os que se atrevem a reconhecer a importância da obra e trajetória desse maldito, burroughs. literato, drogadito, intelectual, visionário, inconsequente, genial, perdulário, malandro, andarilho, idolatrado, vagabundo, artista, incorrigível, sagaz, delinquente, corajoso, mestre, copiador, inventor, alquimista, montador, velho, fedido, fudido, desejado, old bull lee.

na década de 80 a l&pm publicou “cartas do yage”, correspondências que burroughs manteve com allen ginsberg na metade dos anos 50 quando ele desceu em direção à américa do sul, passando pela central, em busca do que ele chamou de “barato definitivo”, o barato propiciado pelo yage, também chamado pelos índios de ayahuasca ou caapi.

“a planta banisteriopsis caapi é uma trepadeira que cresce na amazónia e produz uma droga conhecida pro vários nomes: para os índios brasileiros e colombianos ela é a caapi, enquanto no peru, bolívia e equador ela é chamada de ayahuasca. nos andes ela tem o nome de yagé, e é obtida através da fervura das cascas recém-formadas da trepadeira caapi.

o princípio activo do caapi, conhecido como harmina, pode ser extraído e transformado em cloreto de harmina, droga aspirada ou mascada para produzir os mesmos efeitos da beberagem.
Imediatamente após a ingestão de yagé, o usuário vomita; em seguida, começam os efeitos propriamente ditos: embriaguez acompanhada por alucinações e espoucar de luzes coloridas. Também pode ocorrer insonia, perda de coordenação e vertigens. à medida que os efeitos se intensificão, as alucinações entram num grau mais avançado e o usuário pode experimentar um aumento de visão noturna e um desenvolvimento da energia psíquica, assim como uma estimulação dos sentidos sexuais

a harmina produz efeitos e sensações semelhantes aos da mescalina, acrescidos de embriaguez. afirma-se que a droga aumenta a percepção extra-sensorial, fazendo com que o usuário adquira a capacidade de prever eventos futuros”.

assim fica mais claro entender porque ele nominou “barato definitivo”. porém, até chegar ao yage, willian percorreu uma trilha úmida e quente, passando por quartos de hotéis baratos com meninos imberbes, insaciáveis e ladrões, além de embates com funcionários públicos corruptos. esse painel é apresentado a ginsberg, ajundando na construção estereotipada do gringo sobre a AL. eu prefiro fazer uma metáfora do explorador obcecado em achar a cidade dourada e despojar tudo o que puder até vomitar. e foi exatamente isso que ele fez, porém nem assim conseguiu, naquele momento, o barato definitivo.

fonte: ciência viva

entre mocs e mops, reuniões pelo skype

semana passada estivemos, por 2 dias, reunidos na tv ovo – oficina de vídeo e cesma, participando de uma oficina do ponto brasil. a oficina contou com a participação de representantes de pontos de cultura do rs que trabalham com audiovisual. de brasília, vieram os oficinineiros Paulo Tavares e Ana Flávia Dias Salles, ela responsável pela criação dos roteiros, ele pela produção dos interprogramas que irão compor a grade da tv brasil.

as oficinas estão sendo realizadas em todos os estados brasileiros, onde os participantes são orientados a desenvolverem argumentos audiovisuais dentro de temas pré-estabelecidos, como culpa, laços e nós, cicatriz,  animais, epifanias, deus e o diabo, e por aí vai…

os programas deve ter no máximo 5 min, não tendo limite de quantidade. na verdade, esse limite é dado pela capacidade de produção da equipe envolvida. como recebemos a oficina em santa maria, somos considerados o nó da rede, ou seja, responsáveis por dar conta de praticamente toda a produção. um exercício e tanto, porque cada idéia apresentada tem uma estrutura a ser seguida, os chamados moc’s – modelo de organização de conteúdo, onde são discutidos o argumento, a idéia audiovisual, objetos e ferramentas. após, começa a fase dos mop’s – modelos de organização da produção. o que seria a parte operacional da coisa.  e como a própria dinâmica das oficinas permite e incentiva, a fase inicial, quando as idéias são lançadas, cria alguns devaneios. por vezes, tiramos os pés do chão, o que me preocupou bastante porque a tensão vai se dar no nó.

essa equipe do rs, formada pela tv ovo, quilombo do sopapo (poa), ação cultural integrada (são luiz gonzaga), artestação (rio grande), está trabalhando  com 5 moc’s iniciados, sobre os temas “Cicatriz”, “Laços e Nós”, “Terra” e “Culpa” . de 23 a 29 de março, uma nova oficina será realizada para produção final dos interprogramas. até lá, foram propostos encontros semanais via skype, além das observações diretas no site ponto brasil.

paulo_tavares falando sobre a produção

paulo_tavares falando sobre a produção

oficina_pontobrasil

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em seguida que o pessoal liberar as fotos, que foram tiradas à exaustão, eu posto algumas aqui, pq essas foram tiradas do meu telefone de qualquer jeito.

cesma in blues

o cesma in blues finalmente vai ter um site na rede. isso já era pra ter rolado, mas sempre apareciam outras prioridades, como, por exemplo, pagar compromissos assumidos e não contemplados incialmente pelo projeto.

pra complicar um pouco mais a situação, a captação de recursos via Banco do Brasil, através da LIC/Muncipal, gorou porque o banco, assim como uma porção de empresas da cidade, está com pendências junto à prefeitura, trancando o recolhimento do ISSQN, uma das formas de arrecadação utilizadas pelos projetos e como houve mudança de mandado a coisa subiu à tona.

se soubéssemos disso antes poderíamos ter realizado uma campanha de captação de recursos via IPTU – impossível, porque houve alteração da lei que agora somente permite a doação dos 30% em cota única, mas o prazo encerrou dia 31 de janeiro.

então, restam as seguintes opções: conseguir recolher através do ITBVI – imposto cobrado pelas transações de imóveis urbanos, coisa que poucos produtores conseguem.

captação de recursos através de outros editais de financiamentos culturais, LIC Estadual ou Lei Rouanet, por exemplo.

captação através de patrocínio direto.

apesar disso, temos outro desafio não menos importante, lançar o dvd das 2 últimas edições do projeto, quando tivemos a participação de praticamente todos os principais expoentes do blues brasileiro: Blues Power Trio, Jefferson Gonçalves, Big Joe Manfra, Décio Caetano, Robson Fernandes, Beale Street, mais a presença do norte-americano, Peter MadCat. Sem falar na participação não menos importante de outros músicos que ainda não possuem a mesma visibilidade.

um dvd com esse time tem peso e qualquer pessoa que goste da coisa vai querer ter esse material em casa. então, nossa batalha é exigente, mas temos fé de que esse ano será um ano importante para toda a família Cesma in Blues.

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cartola – música para os olhos

assisti ontem  Cartola – Música para os olhos, documentário do Lírio Ferreira e do Hilton Lacerda, e fiquei muito contente com o que vi. sinceramente, alegrou meu final de tarde e me deixou mais leve para ir atrás de uma cerveja. pretendia escrever mais, porém preferi compartilhar uma discussão interssante e já em andamento.  mas ressalto, todos que se interessam pela história da música brasileira, ou ainda, história do Brasil,  deveriam dedicar 85 parcos minutos de seu precioso tempo para vê-lo.

matsuri

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ontem, após a sessão do cineclube, fomos novamente ao Matsuri. além do sunomo de entrada, pedimos temaki de camarão e salmão com skin. na sequência, ainda, sashimi, também de salmão e um outro lance, que agora não recordo o nome. estava muito bom. de tanto que comi, hoje almocei  pouco

sunomo

sunomo

temaki

temaki

sashimi1

sashimi